quarta-feira, 28 de agosto de 2013


O Centro Cineclubista de São Paulo – CECISP, devidamente registrada no CNPJ sob nº 06.101.589/0001 – 73, é constituído como entidade de direito privado, associativa e cultural sem fins lucrativos, que há mais de dez anos representa os cineclubes de São Paulo, com vários projetos realizados em parcerias com órgãos públicos e privados.

É constituída pelos seguintes órgãos de deliberação: Assembléia Geral (órgão máximo); Diretoria Executiva e Conselho Fiscal. É facultado a Diretoria Executiva criar Assessorias e/ou Departamento, sujeitos ao “Ad Referendu” da Assembléia Geral.


Missão
Trabalhar para ser um centro de excelência na capacitação e difusão da atividade cultural, cineclubista, do audiovisual comunitário e da linguagem cinematográfica, agregando e maximizando ações efetivas desta atividade.

Visão

Formar e capacitar agentes multiplicadores da atividade cultural, cineclubista e do audiovisual comunitário, colaborando assim com entidades e grupos dedicados a este segmento, visando à criação de um circuito popular consistente de difusão de produção cinematográfica e audiovisual regional, com identidade própria, proporcionando ao público formação cultural criteriosa, estimulante e aberta a multiplicidade de manifestações.




Os Cineclube – parte 1


PRELIMINARES

Desde os seus primórdios, os cineclubes sempre foram sinônimos de formação e educação não formal. No decorrer de sua história e com o desenvolvimento do cinema alcançando o status de arte, surgiram outras ramificações, como a crítica, a cinefilia. O cinema ganhou musculatura, elevando-se à categoria de ciência. Neste contexto, o cineclubismo foi aos poucos ganhando relevância no processo de formação e difusão da cultura cinematográfica junto ao público, atuando também na estrutura organizativa de entidades e eventos ligados à atividade cinematográfica, funcionando como verdadeiro sustentáculo do que chamamos de Sétima Arte. 

Como não existiam escolas, a formação se dava através de um processo informal, em que o ato de ver ganhou, naquela circunstância, a função pedagógica de aprendizado, de educação do olhar. Assim, vários cineastas, críticos, professores, pesquisadores, etc. creditam sua formação ao cineclubismo. O cineclubista André Bazin, considerado também o pai da crítica cinematográfica, consagrou a tríade: programar, exibir e debater, como condição imperativa da atividade cineclubista.

Da atividade cineclubista surgiram as Cinematecas, entre elas a francesa, a brasileira, a Cinemateca do Museu de Arte Moderna – MAM -, do Rio de Janeiro, a Uruguaia, a Cubana; Festivais de Cinema como o de Cannes, o de Havana, o de Gramado, Brasília, a Jornada de Cinema da Bahia e a Primeira Escola de Cinema do Brasil,  criada por cineclubistas históricos: Paulo Emílio Salles Gomes, Jean-Claude Bernardet, Nelson Pereira dos Santos, assim como tantas outras organizações e eventos deste setor.

Nas últimas décadas, com o advento das novas tecnologias e sua mobilidade, a atividade cineclubista proliferou pela imensidão territorial brasileira, ao ponto da presidenta Dilma Rousseff, que credita a sua formação cinematográfica à atividade cineclubista, prometer criar em sua gestão, mais mil cineclubes, além dos já existentes, o que pode ser conferido em: http://www.youtube.com/watch?v=xnmzh0V0VRA


COMO E POR QUE SURGIRAM OS CINECLUBES

Ao completar 18 anos (1913), o cinema já se afirmara como uma potente atividade econômica, atraindo multidões aos “Salões de Novidades” e às primeiras casas criadas especialmente para abrigar esta recente forma de entretenimento e comércio: as “Salas de Cinema”.

Por outro lado, o ato de ver filmes - imagens em movimento -, com tamanha perfeição, inspirou um grupo de intelectuais a formar coro com Riccinoto Canuto, referindo ao filme com a expressão: “Beleza Cinematográfica”. À medida que os filmes foram ganhando uma forma de expressão do pensamento humano, se afirmando como linguagem capaz de contar uma história e de documentar com imagem, fala, som, a maneira de vestir, andar, comer, sorrir, chorar, dançar, cantar, o homem cria uma ferramenta de expressão tão completa, que garante o registro de sua passagem pela vida. Seus feitos serão conhecidos pelas gerações vindouras, como realmente elas aconteceram. 

O ato de ver o filme sempre despertou nos seus espectadores, o desejo de falar sobre ele após assisti-lo e isso não podia ser feito no espaço físico do cinema, devido à natureza comercial do negócio. Surgem a partir daí grupos de amigos interessados em conversar, não só sobre o que o filme quis dizer, mas como el disse, como foi feito, como foi interpretado, fotografado, etc. Esta atividade de ver filmes com amigos e depois discutir, foi chamado inicialmente de “Clube de Cinema”, o que hoje conhecemos por “Cineclube”, atividade que reúne pessoas interessadas, não só em assistir aos filmes, mas em criar, distribuir, exibir, discutir, ver, mas também, guardar, conservar, mostrar de novo e fazer. Assim o círculo da vida de um filme se constitui. É nesta atividade que o filme alcança a perenidade. Assim também se afirma a primeira ideia de como surge um cineclube. Pelo ato voluntarioso da vontade em oferecer algo a mais, além da relação de consumo ligeiro que um filme possibilita ao ser visto.


COMO SE ORGANIZAM OS CINECLUBES

Os cineclubes se constituem sob a forma de sociedade civil, sem fins lucrativos, em conformidade com o Código Civil Brasileiro e normas legais esparsas, aplicando seus recursos exclusivamente na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos, sendo-lhes vedada a distribuição de lucros, bonificações ou quaisquer outras vantagens pecuniárias a dirigentes, mantenedores ou associados. São espaços de exibição não comercial de obras audiovisuais nacionais e estrangeiras diversificadas, que podem realizar atividades correlatas. Os cineclubes são constituídos na forma prevista pelos artigos 53 a 61 do Código Civil, Lei nº 10.406/02, e se rege na forma da Lei federal nº 5.536/68, da Resolução do Conselho Nacional de Cinema nº 64/81 e da Instrução Normativa Nº 63 da ANCINE – agência Nacional de Cinema. 

Todo cineclube deve ser constituído tendo a Assembléia Geral como órgão máximo; Diretoria Executiva e um Conselho Fiscal. Deste processo de organização, se apreende três princípios básicos: ser uma atividade cultural sem fins lucrativos; ter um projeto político que contemple a participação do público; ser uma organização regida pelo sufrágio universal.


Existem uma infinidade de cineclubes que são regidos por princípios de auto-gestão, não se formalizam conforme os parâmetros do Código Civil, mas que funcionam, tanto quanto os formalizados e organização dos cineclubes, eles tem os mesmos direitos dos demais.



ÁRVORE GENEALÓGICA


Os cineclubes estão presentes na maioria dos países do globo terrestre e são assim organizados: Federação Internacional de Cineclubes – com assento na UNESCO -; para cada continente um Secretariado; em cada país uma ou mais entidade de representação Nacional; uma ou mais entidades representativas por Estado e na base os cineclubes. No Brasil só existe uma entidade nacional e só é permitida uma representação por estado.