Os
Cineclube – parte 1
PRELIMINARES
Desde
os seus primórdios, os cineclubes sempre foram sinônimos de formação e educação
não formal. No decorrer de sua história e com o desenvolvimento do cinema
alcançando o status de arte, surgiram outras
ramificações, como a crítica, a cinefilia. O cinema ganhou musculatura,
elevando-se à categoria de ciência. Neste contexto, o cineclubismo foi aos
poucos ganhando relevância no processo de formação e difusão da cultura
cinematográfica junto ao público, atuando também na estrutura organizativa de
entidades e eventos ligados à atividade cinematográfica, funcionando como
verdadeiro sustentáculo do que chamamos de Sétima Arte.
Como não existiam escolas, a formação se dava
através de um processo informal, em que o ato de ver ganhou, naquela
circunstância, a função pedagógica de aprendizado, de educação do olhar. Assim,
vários cineastas, críticos, professores, pesquisadores, etc. creditam sua
formação ao cineclubismo. O cineclubista André Bazin, considerado também o pai
da crítica cinematográfica, consagrou a tríade: programar, exibir e debater,
como condição imperativa da atividade cineclubista.
Da atividade cineclubista surgiram as Cinematecas,
entre elas a francesa, a brasileira, a Cinemateca do Museu de Arte Moderna – MAM
-, do Rio de Janeiro, a Uruguaia, a Cubana; Festivais de Cinema como o de
Cannes, o de Havana, o de Gramado, Brasília, a Jornada de Cinema da Bahia e a
Primeira Escola de Cinema do Brasil, criada por cineclubistas
históricos: Paulo Emílio Salles Gomes, Jean-Claude Bernardet, Nelson Pereira
dos Santos, assim como tantas outras organizações e eventos deste setor.
Nas últimas décadas, com o advento das novas
tecnologias e sua mobilidade, a atividade cineclubista proliferou pela
imensidão territorial brasileira, ao ponto da presidenta Dilma Rousseff, que
credita a sua formação cinematográfica à atividade cineclubista, prometer criar em sua gestão, mais mil cineclubes, além dos já existentes, o que pode
ser conferido em: http://www.youtube.com/watch?v=xnmzh0V0VRA
COMO E POR
QUE SURGIRAM OS CINECLUBES
Ao completar 18 anos (1913), o cinema já se
afirmara como uma potente atividade econômica, atraindo multidões aos “Salões
de Novidades” e às primeiras casas criadas especialmente para abrigar esta
recente forma de entretenimento e comércio: as “Salas de Cinema”.
Por outro lado, o ato de ver filmes - imagens em
movimento -, com tamanha perfeição, inspirou um grupo de intelectuais a formar coro com Riccinoto Canuto, referindo ao filme com a expressão: “Beleza Cinematográfica”. À medida que os
filmes foram ganhando uma forma de expressão do pensamento humano, se afirmando
como linguagem capaz de contar uma história e de documentar com imagem, fala,
som, a maneira de vestir, andar, comer, sorrir, chorar, dançar, cantar, o
homem cria uma ferramenta de expressão tão completa, que garante o registro de
sua passagem pela vida. Seus feitos serão conhecidos pelas gerações vindouras,
como realmente elas aconteceram.
O ato de ver o filme sempre despertou nos seus
espectadores, o desejo de falar sobre ele após assisti-lo e isso não podia ser
feito no espaço físico do cinema, devido à natureza comercial do negócio. Surgem
a partir daí grupos de amigos interessados em conversar, não só sobre o que o
filme quis dizer, mas como el disse, como foi feito, como foi interpretado, fotografado, etc. Esta atividade de ver filmes com amigos e depois discutir,
foi chamado inicialmente de “Clube de Cinema”, o que hoje conhecemos por
“Cineclube”, atividade que reúne pessoas interessadas, não só em assistir aos
filmes, mas em criar, distribuir, exibir, discutir, ver, mas também,
guardar, conservar, mostrar de novo e fazer. Assim o círculo da vida de um
filme se constitui. É nesta atividade que o filme alcança a perenidade. Assim
também se afirma a primeira ideia de como surge um cineclube. Pelo ato
voluntarioso da vontade em oferecer algo a mais, além da relação de consumo ligeiro
que um filme possibilita ao ser visto.
COMO SE ORGANIZAM OS
CINECLUBES
Os cineclubes se constituem sob a forma de
sociedade civil, sem fins lucrativos, em conformidade com o Código Civil
Brasileiro e normas legais esparsas, aplicando seus recursos exclusivamente na
manutenção e desenvolvimento de seus objetivos, sendo-lhes vedada a
distribuição de lucros, bonificações ou quaisquer outras vantagens pecuniárias
a dirigentes, mantenedores ou associados. São espaços de exibição não comercial
de obras audiovisuais nacionais e estrangeiras diversificadas, que podem
realizar atividades correlatas. Os cineclubes são constituídos na forma
prevista pelos artigos 53 a 61 do Código Civil, Lei nº 10.406/02, e se rege na
forma da Lei federal nº 5.536/68, da Resolução do Conselho Nacional de Cinema
nº 64/81 e da Instrução Normativa Nº 63 da ANCINE – agência Nacional de Cinema.
Todo cineclube deve ser constituído tendo a
Assembléia Geral como órgão máximo; Diretoria Executiva e um Conselho Fiscal.
Deste processo de organização, se apreende três princípios básicos: ser uma
atividade cultural sem fins lucrativos; ter um projeto político que contemple a
participação do público; ser uma organização regida pelo sufrágio universal.
Existem uma infinidade de cineclubes que são regidos por princípios de auto-gestão, não se formalizam conforme os parâmetros do Código Civil, mas que funcionam, tanto quanto os formalizados e organização dos cineclubes, eles tem os mesmos direitos dos demais.
ÁRVORE
GENEALÓGICA
Os cineclubes estão presentes na maioria dos
países do globo terrestre e são assim organizados: Federação Internacional de
Cineclubes – com assento na UNESCO -; para cada continente um Secretariado; em
cada país uma ou mais entidade de representação Nacional; uma ou mais
entidades representativas por Estado e na base os cineclubes. No Brasil só
existe uma entidade nacional e só é permitida uma representação por estado.